Dia Mundial da Água reforça reflexões sobre consumo consciente

No dia 22 de março é celebrado o Dia Mundial da Água. Esta data comemorativa, criada em 1992 pela Organização das Nações Unidas, é um marco essencial para reforçar as discussões que envolvem os recursos hídricos e o comportamento humano em relação a eles.

Apesar das diversas discussões sobre a água, percebemos que muito pouco é praticado para que o consumo e preservação sejam conscientes. Nesta terça-feira (19/03) a ONU divulgou um relatório mundial sobre o desenvolvimento dos recursos hídricos, onde frisa que mais de 2 bilhões de pessoas não têm acesso à água potável e que falta saneamento básico para cerca de 4,3 bilhões de indivíduos em todo o planeta. Este relatório foi lançado durante a 40ª Sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, na Suíça, e ainda afirma que o uso mundial de água aumenta até 1% a cada ano que passa, o que significa que, em 2050, haverá entre 20% e 30% de demanda de água em comparação aos níveis atuais.

Mesmo com tanta demanda, atualmente mais da metade da população mundial não tem acesso a água limpa e saneamento. Há uma desigualdade social gigantesca no uso destes recursos, e os indivíduos que vivem em situações de pobreza e periferia são os que mais sofrem com esta negligência. Segundo o site Agência Brasil, as Nações Unidas afirmam que isto se deve pelas políticas mal planejadas e implementadas, bem como pela aplicação inadequada de recursos financeiros em projetos ambientais, visando cada vez mais o lucro e desconsiderando a sustentabilidade.

Percebemos a falta de planejamento eficiente na distribuição e abastecimento de água quando, no Brasil, dados apontam que apenas 83,5% das pessoas têm acesso à água tratada e, apesar de este parecer um número positivo, isto significa que quase 35 milhões de brasileiros ainda não são atendidos com este serviço de saneamento básico. Como se não bastasse essa falha na distribuição, ainda há o problema da escassez de água, esgotamento das nascentes e dos rios e grande crescimento da poluição das águas, tanto pela parte social quanto organizacional (como o caso de Brumadinho, que já citamos em nosso blog). Portanto, se breves medidas não forem tomadas, estes problemas só tendem a se agravar e logo as poucas fontes de água doce e utilizável que temos irão desaparecer.

O Sistema Nacional de Informações sobre Recursos Hídricos (SNIRH), de acordo com a  Lei nº 9.433/97, é o órgão responsável por cuidar das águas brasileiras por meio de ações como coleta, tratamento, recuperação, armazenamento e divulgação dos dados pertinentes à gestão hídrica. São os dados do SNIRH que orientam as decisões dos órgãos políticos e das agências reguladoras do subsídio e destino do uso das águas. Deste modo, o controle e monitoramento destas decisões é de extrema importância para o sistema de abastecimento e distribuição, bem como atendimento hídrico à população.

“Não deixar ninguém para trás” é o relatório lançado esta semana pela ONU referente ao desenvolvimento mundial da água.

Deste modo, como podemos nos conscientizar sobre a preservação dos recursos hídricos e seu consumo consciente? 

As decisões tomadas por governos são as que mais resultam em impactos, pois atingem muito mais do que apenas o abastecimento de água para consumo básico nas residências: afetam áreas como produção de energia, agricultura, indústria alimentícia e demais usos urbanos.

Com a Agenda 2030 das Nações Unidas, surge o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 6, que visa assegurar a gestão sustentável e o acesso à água e saneamento para todas as pessoas até 2030 e, assim, obriga os gestores dos Estados a tomarem decisões que caminhem em direção à obtenção deste acesso, sem discriminação e priorizando as pessoas e regiões mais necessitadas.

Mas de nada adianta pressionar o Governo se a sociedade não fizer sua parte individual e em conjunto. Todos sabemos que a água é um dos recursos essenciais para a sobrevivência da vida no planeta, é fundamental que cada um de nós desenvolva uma consciência ambiental e reflita sobre nossos atos de consumo e preservação dela no dia a dia – afinal de contas, apesar de ser responsável por manter o equilíbrio do nosso ecossistema, a água é um recurso natural finito.

Sabemos que 75% do planeta é composto por água, mas 100% do planeta depende deste artefato. Além disso, deste total, apenas 2,5% é constituído por água doce, que ainda precisa ser tratada antes de encaminhada para nosso consumo. O tratamento da água potável, evidentemente, é da responsabilidade das organizações, porém grande parte de sua poluição é causada por fatores individuais, como o despejo inadequado de lixo – e, principalmente, óleo – em rios, lagos, mares e mananciais.

No Brasil há uma concentração de 12% da água doce de todo o planeta. E, como a água potável está presente na maior parte da população, isto leva muitas pessoas a não valorizarem e esquecerem de cuidar deste bem natural. Não podemos nos preocupar com a água apenas quando ocorrer alguma escassez ou crise hídrica e a falta dela causar impactos (além de ambientais) sociais e econômicos.

O consumo consciente que devemos ter não significa deixar de utilizar água potável, mas sim repensar as suas formas de uso e preservação. Abaixo, citamos alguns planos alternativos práticos e diários para redução do consumo e do desperdício:

  • Reutilizar água da chuva e de práticas como tomar banho e lavar roupas para limpar o quintal, por exemplo;
  • Tomar banhos curtos, fechando a torneira ao ensaboar o corpo ou passar produtos nos cabelos;
  • Evitar banhos de banheira;
  • Evitar brincadeiras que desperdicem água;
  • Priorizar o uso de vassoura e pano seco no lugar de baldes com água;
  • Fechar a torneira enquanto estiver ensaboando as louças, bem como ao escovar os dentes;
  • Optar por um balde e um pano para lavar o carro, em vez de mangueira;
  • Instalar cisternas para a captação e armazenamento da água da chuva;
  • Tratar a água de piscina para não evitar trocas frequentes e desnecessárias;
  • Regar as plantas com moderação, aproveitando também a água da chuva e optando por regador em vez de mangueira;
  • E, principalmente, conscientizar o próximo e incentivar os demais a fazerem o mesmo! Uma pessoa pode fazer a diferença, mas a união contribui muito mais para o crescimento e desenvolvimento saudável do planeta.
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